Abordagem marcada pelo preconceito em shopping de luxo
Quem frequenta o Shopping Pátio Higienópolis dificilmente imagina que, entre vitrines de luxo e cafeterias badaladas, a cena pode ser de adolescentes negros chorando após passar por uma abordagem marcada por racismo. Mas foi isso que viveu a filha de Leni Pires das Merces, de apenas 12 anos, junto com um colega de escola, no dia 17 de abril de 2025. Segundo a mãe, a filha e o colega, ambos negros e estudantes do Colégio Equipe, estavam acompanhados de uma amiga branca no shopping quando foram questionados por uma segurança do estabelecimento. A profissional quis saber se eles estavam importunando a jovem branca, indagando se estavam pedindo dinheiro. Mesmo após a explicação dos adolescentes de que eram apenas amigos, a segurança insistiu na suspeita.
O detalhe mais dolorido? Horas antes, os três tinham participado de uma aula sobre letramento racial e atitudes antirracistas, justamente para lidar com situações como essa — que eles jamais esperavam vivenciar tão cedo e de forma tão explícita. O constrangimento deu lugar ao choro, marca da incredulidade e da dor vivida pelos jovens. O clima no shopping ficou tenso, e a situação terminou apenas depois de muita explicação e abalo emocional, principalmente das crianças negras abordadas injustamente.
Histórico preocupante e reação imediata
A família fez o que muita gente costuma não ter energia para fazer nessas horas: foi à Polícia Civil e registrou um boletim de ocorrência detalhando todo o episódio. Também optaram por formalizar uma queixa diretamente com a administração do Shopping Pátio Higienópolis. Segundo apuração da imprensa, esse tipo de ocorrência não é fato isolado no local. Outros episódios de racismo já foram denunciados nos últimos sete anos, demonstrando que o problema é estrutural e persiste, mesmo com campanhas e leis tentando coibir a prática discriminatória.
A escola, atenta ao abalo dos alunos, não ficou parada. O Colégio Equipe tomou a frente e vai organizar uma manifestação de repúdio ao racismo, agendada para o dia 23 de abril. A expectativa é que outras escolas da região, conhecidas por abrigar alunos da elite paulistana, também participem para dar mais visibilidade ao tema e pressionar por mudanças reais.
Casos como esse escancaram a urgência de discutir o racismo estrutural em ambientes tidos como inclusivos e modernos. O choro dos adolescentes naquele shopping é um alerta: o preconceito não escolhe endereço nem ocasião. O papel das escolas, das famílias e mesmo dos espaços privados, como shoppings, passa a ser questionado, abrindo espaço para um debate cada vez mais necessário sobre o que precisa mudar, de fato, nas relações raciais do país.
Lino Mellino
abril 22, 2025 AT 17:53Se você é negro, é suspeito por definição
gladys mc
abril 23, 2025 AT 16:50Tafnes Nobrega
abril 24, 2025 AT 09:13Priscila Tani Leal Vieira
abril 25, 2025 AT 22:31José Lucas de Oliveira Silva
abril 27, 2025 AT 17:57Até quando vamos aceitar isso como normal?
thiago rodrigues
abril 29, 2025 AT 17:35Marcelo Souza
abril 30, 2025 AT 16:50Gustavo Dias
maio 1, 2025 AT 07:55VALENTINO ILIEVSKI
maio 3, 2025 AT 00:53Alexandre Vieira
maio 3, 2025 AT 03:25Alcionei Rocha dos Santos
maio 4, 2025 AT 23:51Isabela Bela
maio 6, 2025 AT 19:51Jéssica Jéssica
maio 7, 2025 AT 10:19Igor Roberto de Antonio
maio 9, 2025 AT 02:13Paulo Henrique Sene
maio 9, 2025 AT 03:22Higor Martins
maio 10, 2025 AT 19:33Talitta Jesus Dos Santos
maio 12, 2025 AT 05:45Ralph Ruy
maio 14, 2025 AT 05:35guilherme roza
maio 14, 2025 AT 16:43Marcos Suel
maio 16, 2025 AT 08:49