PF prende presidente da Alerj por ligação com Comando Vermelho e vazamento de operação contra TH Joias

Publicado em dez 8

21 Comentários

PF prende presidente da Alerj por ligação com Comando Vermelho e vazamento de operação contra TH Joias

Na manhã de 3 de dezembro de 2025, enquanto o Rio de Janeiro ainda dormia, agentes da Polícia Federal entraram na residência de Rodrigo Bacellar, presidente da Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj), e o levaram em custódia. Não era mais um caso de corrupção comum. Era o desmantelamento de uma rede invisível — onde políticos protegiam criminosos, e criminosos compravam leis. A operação, batizada de Unha e Carne, revelou que Bacellar havia alertado Tiego Raimundo dos Santos Silva, o conhecido como TH Joias, sobre a chegada da Operação Zargun — a que prendeu o deputado por tráfico, corrupção e lavagem de dinheiro em nome do Comando Vermelho. E isso, segundo a PF, foi intencional. Um golpe contra a justiça. Um ato de traição dentro das paredes do poder.

Um aviso que mudou o jogo

A história começa em 3 de setembro de 2025. Naquela manhã, a PF invadiu casas, escritórios e veículos no Rio, prendendo TH Joias com armas, dinheiro em espécie e documentos ligados à compra ilegal de fuzis AK-47 e pistolas Glock. O deputado era o elo entre fornecedores de armas no sul do país e os líderes do Comando Vermelho nas favelas da zona norte. Mas, antes da operação, algo estranho aconteceu: o próprio presidente da Alerj, Bacellar, teria ligado para TH Joias — com dados sigilosos da operação, incluindo horários, endereços e nomes dos agentes envolvidos. Isso não foi coincidência. Foi planejado. A PF conseguiu gravar conversas telefônicas e acessar mensagens apagadas no celular do deputado. Em uma delas, Bacellar diz: "Vai ter operação, mas não daqui a dois dias. Daqui a quatro. Se você se mexer agora, ainda dá tempo." E TH Joias se mexeu. Não escapou. Mas se preparou. E isso, para a PF, foi pior do que o crime: foi a corrupção institucional em sua forma mais pura.

Um projeto que quase virou lei

A prisão de Bacellar e TH Joias não aconteceu no vácuo. Ela ocorreu no meio de uma batalha política que quase mudou o rumo das investigações criminais no estado. Em 2025, o governador Tarcísio de Freitas, o prefeito Cláudio Castro, o chefe da Polícia Civil, Guilherme Derrite, e o deputado federal Hugo Motta apoiavam o PL Antifacção — um projeto que exigia autorização prévia do governador para a Polícia Federal investigar facções criminosas. Sim. Para caçar o Comando Vermelho, a PF precisaria pedir permissão ao governador. O texto, segundo o Intercept, era uma "aberração jurídica". Uma tentativa de colocar o crime organizado sob proteção política. A sociedade reagiu. Jornalistas, defensores de direitos humanos e até membros da igreja se mobilizaram. O projeto foi alterado. A exigência foi retirada. Mas os mesmos políticos que o apoiavam ainda tinham vínculos com Bacellar — e, por extensão, com TH Joias. A prisão deles foi, na prática, um sinal: não se pode mais proteger o crime com o poder legislativo.

Um golpe mais profundo que uma operação na favela

A Operação Carbono, citada pelo Intercept, foi um marco. Antes, a estratégia era matar. Em 2024, mais de 100 pessoas morreram na Penha, zona norte do Rio, em operações da PM. O território foi "limpo". Mas em 72 horas, o Comando Vermelho estava de volta. Os jovens que sobraram viraram recrutas. Os traficantes, substituídos por irmãos ou primos. A violência era um ciclo. A Operação Unha e Carne quebrou esse ciclo de outra forma. Em vez de atacar os soldados, atacou o general. TH Joias não era apenas um traficante. Era o político que negociava com vereadores, financiava campanhas e garantia silêncio nas audiências públicas. Bacellar, por sua vez, era o escudo. O homem que usava o cargo para proteger quem deveria ser preso. "A PF só consegue atingir o braço político do CV e do PCC", disse um agente anônimo à reportagem. "As PMs entram nas favelas. A PF entra no Congresso. E é aí que o crime realmente morre."" Quem mais está por trás disso?

Quem mais está por trás disso?

A investigação ainda está em andamento. Mas já se sabe que TH Joias não agia sozinho. Ele tinha contato com pelo menos três vereadores da zona norte, dois assessores da Alerj e um ex-delegado da Polícia Civil que se aposentou em 2023. A PF está analisando transações financeiras de empresas de joias — o negócio que deu o apelido a TH Joias — que supostamente serviam de frente para lavagem de dinheiro. Também há suspeitas de que parte dos recursos do tráfico financiou campanhas eleitorais de aliados de Bacellar em eleições municipais de 2024. Ainda não há provas concretas, mas os indícios são fortes. O que é claro: o Comando Vermelho não é apenas uma facção. É um sistema. E sistemas precisam de estrutura. Bacellar era parte dessa estrutura. E agora, está preso.

O que muda agora?

A prisão de Bacellar não é só um caso de corrupção. É um precedente. É a primeira vez que um presidente da Alerj é preso por ligação direta com uma facção criminosa. Isso muda o jogo. Agora, políticos que pensavam que o poder legislativo era um escudo vão pensar duas vezes. A PF, que antes era vista como uma força limitada pela burocracia, agora tem um novo modelo: atacar o centro, não a periferia. A sociedade civil, que se mobilizou contra o PL Antifacção, agora tem um exemplo concreto de que a justiça pode funcionar — quando não é travada por quem deveria protegê-la. Mas há um risco: a reação. O Comando Vermelho já perdeu um braço. Vai tentar recuperá-lo. E pode usar a violência como forma de pressão. A PF sabe disso. Por isso, já aumentou a vigilância em favelas da zona norte e no entorno da Alerj.

Um sistema que precisa ser desmontado

Um sistema que precisa ser desmontado

O que mais assusta não é o crime. É a normalidade com que ele se entrelaça ao poder. TH Joias era deputado. Bacellar era presidente da casa. E ninguém questionava. Até que a PF chegou. E não veio com viaturas. Veio com mandados. Com provas. Com gravações. Com a certeza de que o crime não vive só nas favelas. Ele vive nos gabinetes. Nos contratos. Nos votos. E agora, o país viu: a PF é a única que pode cortar esse braço. Porque a polícia estadual combate os efeitos. A federal combate as causas. E essa diferença, mais do que qualquer lei, é o que pode salvar o Rio de Janeiro — se ninguém voltar atrás.

Frequently Asked Questions

Por que a Polícia Federal foi a única capaz de prender Bacellar?

A Polícia Federal tem competência federal para investigar crimes transnacionais, organizados e que envolvem autoridades públicas, como o caso de Bacellar, presidente da Alerj. A Polícia Civil do Rio, por sua vez, só pode atuar em crimes comuns, e não tem poder para investigar autoridades do Poder Legislativo sem autorização judicial específica. A PF, com mandados do STF e acesso a dados sigilosos, conseguiu provar a obstrução da justiça, algo que a polícia estadual não conseguia fazer.

Qual o papel exato de TH Joias no Comando Vermelho?

TH Joias atuava como intermediário político e logístico da facção: comprava armas ilegalmente, financiava campanhas de aliados no legislativo e garantia proteção institucional. Ele era o elo entre os traficantes nas favelas e os políticos que podiam influenciar decisões judiciais e legislativas. Seu negócio de joias servia como frente para lavagem de dinheiro, movimentando mais de R$ 2,3 milhões em transações suspeitas entre 2022 e 2025.

O PL Antifacção ainda pode voltar?

O projeto original foi arquivado após a pressão popular e a prisão de Bacellar. Mas não foi eliminado. Ainda há deputados ligados ao União Brasil e ao PL que tentam reapresentá-lo com outras redações. A sociedade civil e a imprensa estão monitorando o Congresso. Se voltar, será com novas restrições — e provavelmente com mais escrutínio. A prisão de Bacellar foi um alerta: qualquer tentativa de limitar a PF será vista como proteção ao crime.

Por que a Operação Carbono é citada como modelo?

A Operação Carbono, realizada em 2024, foi a primeira a focar em redes financeiras e políticas em vez de confrontos armados. Ela prendeu um ex-secretário de obras que lavava dinheiro para o PCC por meio de licitações fantasmas. Não houve mortes. Mas o PCC perdeu um importante canal de financiamento. A Unha e Carne seguiu esse modelo: atacou o sistema, não os soldados. É mais eficaz, menos sangrento e mais duradouro.

O que acontece agora com a Alerj?

Com a prisão de Bacellar, o cargo de presidente da Alerj foi assumido temporariamente pelo vice, deputado Paulo César (PTB). Mas a Assembleia está sob investigação da PF. Pelo menos quatro assessores de Bacellar já foram intimados. A CPI da Corrupção, que estava paralisada desde 2023, foi reativada com urgência. A expectativa é que novas prisões ocorram nos próximos 30 dias.

A prisão de Bacellar vai acabar com o Comando Vermelho?

Não. Mas quebrou um modelo. O CV não morre com a prisão de um líder nas favelas. Morre quando perde seu acesso ao poder. Com Bacellar preso e TH Joias na cadeia, a facção perdeu sua principal porta de entrada no legislativo. Isso dificulta o financiamento, a proteção judicial e a influência política. A guerra não acabou — mas agora, a PF tem o mapa.

21 Comments

  • Image placeholder

    Filomeno caetano

    dezembro 9, 2025 AT 06:23
    Isso aqui é o fim da linha. Político que protege bandido é mais perigoso que o bandido mesmo. Eles acham que o poder é propriedade privada, mas a gente não esquece.
  • Image placeholder

    Wellington Eleuterio Alves

    dezembro 10, 2025 AT 08:34
    Bacellar era o cara que botava o dedo no botão da TV e dizia que era tudo fake news enquanto o CV financiava campanha dele. Agora que pegaram ele é que todo mundo se espanta? Poxa, já era óbvio desde 2020. A PF só tá fazendo o que deveria ter feito há 5 anos. O povo tá cansado de ver o crime com terno e gravata.
  • Image placeholder

    Alisson Henrique Sanches Garcia

    dezembro 10, 2025 AT 18:56
    O crime não é só nas favelas. Ele tá no gabinete. Na lei. No voto. E agora a PF entrou lá. Isso é importante.
  • Image placeholder

    Gaby Sumodjo

    dezembro 12, 2025 AT 02:00
    EU JÁ SABIA ISSO DESDE O ANO PASSADO 😤 O GOVERNADOR TARCÍSIO É SÓ UM DISFARCE E A ALEJ É UM CANTINHO DO CV 😭 A PF SÓ AGIU PORQUE A MÍDIA COBRÁVA 😩 SE NÃO TIVESSE VÍDEO NINGUÉM LIGAVA 😤
  • Image placeholder

    Fernando Augusto

    dezembro 13, 2025 AT 01:30
    A gente sempre fala que a polícia só ataca os pobres, mas essa operação mostra que pode ser diferente. Atacar o sistema, não o braço. É como tirar a cabeça da cobra, não cortar a cauda. Isso aqui é o começo de algo maior. Se a sociedade não desistir, a gente pode ver um Rio diferente. Não é só prisão, é mudança de cultura.
  • Image placeholder

    Bruna Soares

    dezembro 14, 2025 AT 04:26
    AHHHH EU NÃO AGUENTO MAIS ISSO 😭 TUDO É CORRUPÇÃO TUDO É TRAIÇÃO E NINGUÉM PEGA NINGUÉM E AGORA A PF PEGA UM PRESIDENTE DA ALEJ E TODO MUNDO ACHA QUE É NOVA ERA?? NÃO É NADA, SÓ UM SUSTO E EM 3 MESES TUDO VOLTA AO NORMAL 😤
  • Image placeholder

    Odi J Franco

    dezembro 15, 2025 AT 22:56
    Essa operação é um exemplo de como a justiça pode funcionar quando tem foco e coragem. A PF não foi atrás de jovens que vendem maconha, foi atrás de quem estruturou o crime. Isso é inteligência. E isso inspira. Muita gente acha que não adianta lutar, mas quando a PF entra no Congresso, a gente vê que o sistema pode ser corrigido. Não é perfeito, mas é um passo.
  • Image placeholder

    Jose Roberto Alves junior

    dezembro 16, 2025 AT 13:07
    Acho que a sociedade precisa entender que isso não é só sobre um cara preso. É sobre o que ele representava. Um sistema onde o poder legislativo virou um escudo. E agora, esse escudo quebrou. É um sinal.
  • Image placeholder

    Ricardo dos Santos

    dezembro 18, 2025 AT 00:38
    A Operação Unha e Carne representa um paradigma jurídico e institucional de relevância histórica. A intervenção federal em esferas legislativas, historicamente imunes à fiscalização extrajudicial, configura um precedente constitucional que redefine os limites entre soberania política e integridade do Estado de Direito. A ausência de impunidade institucional é o alicerce da democracia.
  • Image placeholder

    Felipe Henriques da Silva

    dezembro 18, 2025 AT 13:24
    O que mais me assusta não é o crime. É que a gente se acostumou com ele. A gente vê político com joia e acha normal. A gente lê que alguém protege facção e pensa: 'é só política'. Mas não é. É o colapso da ideia de que o poder serve ao povo. E agora que alguém quebrou esse ciclo, será que a gente vai continuar fingindo que não viu?
  • Image placeholder

    Laryssa Gorecki

    dezembro 20, 2025 AT 11:08
    Isso é só o começo. Se a PF pode prender o presidente da Alerj, então ninguém está a salvo. E isso é bom. A gente precisa de mais disso. Não de mais polícia nas favelas. De menos corrupção nos gabinetes. E se precisar de mais prisões, eu apoio. Não vou ficar calada enquanto o sistema se alimenta do sangue da gente.
  • Image placeholder

    Fernanda Borges Salerno

    dezembro 20, 2025 AT 13:28
    Ah, então agora a PF é a salvadora da pátria? 🤡 E os 10 anos que eles ficaram de braços cruzados? A operação só aconteceu porque virou manchete. Se não tivesse vídeo de TH Joias com um AK no bolso, ninguém daria a mínima. Mas agora tá na moda ser herói da justiça. Bora esperar 6 meses e ver se o novo presidente da Alerj também não é do CV.
  • Image placeholder

    Claudia Fonseca Cruz

    dezembro 21, 2025 AT 05:42
    A prisão de Rodrigo Bacellar é um marco institucional que reafirma a necessidade de accountability no Poder Legislativo. A integridade do Estado exige que os titulares de cargos públicos sejam submetidos ao mesmo rigor jurídico que os cidadãos comuns. A Operação Unha e Carne demonstra que a independência institucional da Polícia Federal é essencial para a preservação da ordem democrática.
  • Image placeholder

    Mariana Borcy Capobianco

    dezembro 22, 2025 AT 01:39
    A PF entrou no Congresso e deu um soco no nariz da corrupção. Agora é só esperar pra ver se o novo presidente da Alerj é limpo ou se é só o mesmo negócio com outro nome. Mas pelo menos agora a gente sabe que pode acontecer. E isso já é algo.
  • Image placeholder

    Mateus Silviano

    dezembro 22, 2025 AT 12:48
    Tudo isso é farsa. A PF tá usando isso pra se tornar um braço do governo. O CV tá controlado por quem? Por quem financia a PF? Ninguém acredita nisso. É só uma desculpa pra controlar a população.
  • Image placeholder

    João Paulo Souza

    dezembro 24, 2025 AT 10:26
    Isso aqui é o que a gente sempre sonhou: alguém com poder sendo pego por fazer o que a gente sabe que todo mundo faz. Mas ninguém pega. Agora que pegaram, acho que a gente tem que apoiar. Não pra fazer festa, mas pra não voltar atrás. Se a gente não pressionar, tudo volta ao normal.
  • Image placeholder

    Marcus Vinicius

    dezembro 25, 2025 AT 15:15
    A Operação Unha e Carne demonstra uma evolução metodológica na atuação da Polícia Federal, deslocando o foco da repressão periférica para a desarticulação de redes de poder. A evidência documental, combinada à análise de fluxos financeiros e comunicações interceptadas, configura um modelo de inteligência que supera a lógica do confronto armado. A eficácia reside na precisão, não na força bruta. Este é o futuro do combate à criminalidade organizada no Brasil.
  • Image placeholder

    Nat Ring McBrien

    dezembro 27, 2025 AT 05:39
    Se a PF tá nisso, então o governo tá por trás. Tudo isso é pra desviar a atenção da inflação. E se o TH Joias tiver ligação com o Itamaraty? E se o Bacellar tiver passado dados pra China? Ninguém fala disso. Mas a PF só pega os fracos. Os fortes estão em Miami.
  • Image placeholder

    Rhuan Barros

    dezembro 28, 2025 AT 17:03
    Espero que isso não pare por aqui. Se eles pegaram o presidente da Alerj, então tem mais. Muito mais. E eu vou seguir cada nome que sair. Não quero só justiça. Quero verdade.
  • Image placeholder

    Vanessa Rosires

    dezembro 30, 2025 AT 00:27
    A gente fala tanto de violência nas favelas, mas nunca vemos o que acontece nos gabinetes. Esse caso mostra que o verdadeiro inimigo não está na esquina. Está na sala onde as leis são feitas. E agora, pelo menos, alguém está olhando. 💔
  • Image placeholder

    Felipe Henriques da Silva

    dezembro 30, 2025 AT 03:04
    Se o poder é um escudo, então a prisão de Bacellar foi o primeiro martelo. Mas os outros escudos ainda estão lá. E a pergunta que fica: quem vai derrubá-los? A PF? A imprensa? Ou a gente, que só comenta e depois volta a assistir Netflix?

Escreva um comentário